Na edição #134 do Guru Talks, que foi ao ar no dia 14/05/2026, nosso CEO André Cruz abriu a análise com uma provocação importante: como um negócio poderia evoluir ao estar presente nos dois principais eventos de tecnologia do mundo?
Na semana anterior à gravação, ele havia participado do Google Cloud Next, evento anual do Google Cloud realizado em Las Vegas, e do Stripe Sessions, evento da Stripe realizado em São Francisco.
A partir dessa experiência, André apresentou uma leitura estratégica para quem atua com SaaS, vendas digitais, e-commerce, produtos digitais e negócios online.
A principal conclusão foi que o mercado havia entrado numa nova fase. A inteligência artificial já não era mais tratada apenas como tendência, mas como uma camada essencial para orquestrar dados, processos, atendimento, vendas, marketing e produto.
- 1. O que André Cruz observou nos maiores eventos de tecnologia
- 2. Google Cloud Next: a maturidade da inteligência artificial nos negócios
- 3. Por que a IA precisava de processos estruturados
- 4. O novo papel dos dados internos no marketing, vendas e CS
- 5. Stripe Sessions: o futuro dos pagamentos digitais
- 6. O contraste entre Stripe, Brasil, Portugal e Europa
- 7. Mercado agêntico: oportunidade real ou excesso de FOMO?
- 8. Como aplicar inteligência artificial nos negócios sem cair na armadilha
- 9. Conclusão
O que André Cruz observou nos maiores eventos de tecnologia
[00:20] André Cruz abriu a análise com uma provocação importante: como um negócio poderia evoluir ao estar presente nos dois principais eventos de tecnologia do mundo?
Na semana anterior à gravação, ele havia participado do Google Cloud Next, evento anual do Google Cloud realizado em Las Vegas, e do Stripe Sessions, evento da Stripe realizado em São Francisco.
A partir dessa experiência, André apresentou uma leitura estratégica para quem atua com SaaS, vendas digitais, e-commerce, produtos digitais e negócios online.
A principal conclusão foi que o mercado havia entrado numa nova fase. A inteligência artificial já não era mais tratada apenas como tendência, mas como uma camada essencial para orquestrar dados, processos, atendimento, vendas, marketing e produto.
Google Cloud Next: a maturidade da inteligência artificial nos negócios
[02:13] André explicou que o Google Cloud Next havia sido marcado por lançamentos de infraestrutura, evolução de produtos e, principalmente, por uma presença massiva da inteligência artificial.
O evento apresentou novidades relacionadas a:
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Agentes de IA;
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Orquestradores de agentes;
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Skills e habilidades para agentes;
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Infraestrutura de processamento;
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Ferramentas para desenvolvimento;
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Aplicações corporativas com IA.
Segundo André, o Google havia mostrado uma capacidade diferenciada por dominar uma cadeia tecnológica muito ampla: busca, infraestrutura, data centers, processamento, produtos em nuvem e modelos de inteligência artificial.
Essa visão levou a uma conclusão direta: não fazia sentido apostar contra o Google.
[04:12] André comparou essa percepção à frase atribuída a Warren Buffett sobre não apostar contra os Estados Unidos. Na visão dele, o Google possuía uma posição estratégica muito forte, mesmo que nem sempre fosse o líder em uso popular de determinadas ferramentas.
Para empresas digitais, essa leitura trouxe um alerta importante: a tecnologia estava avançando rápido, mas a vantagem não estava apenas em usar IA. Estava em saber como aplicá-la com método.
Por que a IA precisava de processos estruturados
[08:10] André destacou que muitos exemplos apresentados em grandes eventos davam a impressão de que implementar IA era algo simples, rápido e quase automático.
Mas, na prática, ele explicou que a inteligência artificial funcionava melhor quando havia um “mestre sábio”. Ou seja, a IA precisava de direção, contexto, processo e bons dados.
Sem estrutura, a IA apenas nivelava a operação por baixo.
Essa foi uma das mensagens mais importantes para empresas SaaS e negócios digitais: usar ferramentas como Gemini, Vertex AI, agentes ou automações não bastava. Era necessário definir:
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Qual problema seria resolvido;
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Quais dados seriam usados;
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Como os dados seriam tratados;
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Que etapas fariam parte do processo;
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Qual resultado deveria ser gerado;
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Como a informação retornaria para a operação.
[09:10] André deu o exemplo da própria Digital Manager Guru. A empresa havia analisado mais de 2.500 reuniões gravadas, consolidando informações sobre dores, perfis de clientes, motivos de troca de fornecedor, objeções, razões de compra e razões de perda.
Depois, esses dados foram cruzados com a base de clientes para identificar quem havia fechado contrato e quem não havia fechado.
Esse processo permitiu criar uma base de conhecimento mais qualificada para apoiar áreas como marketing, vendas, atendimento e Customer Success.
O ponto central foi que a inteligência artificial nos negócios só gerava valor real quando trabalhava sobre processos bem desenhados e dados bem organizados.
O novo papel dos dados internos no marketing, vendas e CS
[14:27] André explicou que a evolução da Digital Manager Guru havia chegado a um novo estágio: unir dados de diferentes áreas da empresa.
Conversas do comercial, do Customer Success e do atendimento passaram a alimentar uma base comum. Essa base, por sua vez, gerava informações úteis para o marketing criar campanhas, materiais e abordagens mais alinhadas com a realidade do cliente.
Esse movimento demonstrou uma mudança importante.
Antes, muitas empresas usavam IA para tarefas isoladas, como:
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Criar uma copy;
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Gerar anúncios;
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Escrever conteúdos;
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Automatizar respostas simples;
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Produzir variações de peças criativas.
Mas esse modelo passou a ser insuficiente.
15:22 André afirmou que esse uso mais básico da IA já representava um modelo anterior. A nova fase exigia capturar dados do atendimento, do comercial, do CRM e do relacionamento com o cliente para retroalimentar toda a operação.
Em vez de perguntar apenas “como automatizar o time de vendas?”, a pergunta mais estratégica passou a ser:
Como a empresa poderia fazer mais com a informação que já existia dentro de casa?
Essa visão era especialmente relevante para empresas SaaS, porque grande parte da vantagem competitiva estava escondida nas conversas com clientes, nas objeções comerciais, nos tickets de suporte, nas interações de onboarding e nos padrões de retenção.
Inteligência artificial como motor de vantagem competitiva
[16:49] André explicou que a grande oportunidade estava em transformar dados brutos em informação útil.
Na prática, isso significava criar um motor capaz de:
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Capturar interações reais;
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Organizar padrões;
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Identificar oportunidades;
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Alimentar os departamentos;
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Melhorar campanhas;
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Qualificar abordagens comerciais;
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Otimizar atendimento;
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Ajudar o time de CS a atuar com mais contexto.
Esse ciclo criava uma operação mais inteligente e mais preparada para surpreender o cliente.
[17:18] André mencionou que a Digital Manager Guru havia alcançado uma conversão de 70% das propostas no mês anterior. Na visão dele, esse resultado havia sido possível porque a empresa havia construído uma estrutura capaz de qualificar melhor o time comercial e gerar informações relevantes antes das reuniões.
Esse exemplo reforçou uma ideia essencial: a IA não substituía estratégia. Ela ampliava a capacidade de execução de uma empresa que já havia organizado seus processos.
Stripe Sessions: o futuro dos pagamentos digitais
[18:19] Após falar sobre o Google Cloud Next, André passou para o Stripe Sessions, evento da Stripe realizado em São Francisco.
Segundo ele, participar do evento pelo terceiro ano consecutivo reforçou uma percepção forte: o mercado de pagamentos brasileiro ainda estava muito distante do nível de infraestrutura, serviço e pensamento tecnológico demonstrado pela Stripe.
A comparação foi especialmente relevante para negócios digitais, porque o pagamento não era apenas uma etapa operacional. Ele fazia parte direta da experiência do cliente, da conversão, da recorrência, da retenção e da escalabilidade.
André destacou recursos e frentes de inovação da Stripe, como:
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Infraestrutura robusta de APIs;
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Observabilidade das chamadas;
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Antifraude avançado;
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Workflows internos;
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Melhor experiência para vendedores;
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Sincronização de dados;
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Evoluções com stablecoins;
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Novos modelos de cobrança baseados em tokenização;
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Pagamentos entre contas;
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Carteiras digitais.
[22:43] Para André, um dos grandes diferenciais da Stripe estava na transparência. Como cliente, ele conseguia visualizar chamadas de API, retornos, falhas, logs e informações técnicas que ajudavam a resolver problemas com mais rapidez.
Esse nível de detalhe contrastava com a realidade de muitos processadores de pagamento no Brasil e em Portugal, onde problemas simples podiam depender de chamados lentos, respostas pouco claras e processos burocráticos.
O contraste entre Stripe, Brasil, Portugal e Europa
[23:29] André comparou a experiência com a Stripe à realidade enfrentada em mercados como Brasil, Portugal e Europa.
Na visão dele, muitos players locais ainda tratavam integrações, suporte e atendimento de forma lenta e pouco eficiente. Essa burocracia criava fricção para quem vendia online e dependia de pagamentos digitais para manter a operação funcionando.
O problema, segundo André, não estava apenas na ausência de tecnologia. Estava também na mentalidade de serviço.
Empresas que vendem online precisam de parceiros que entendam a dor do vendedor.
[26:56] André reforçou que a infraestrutura da Digital Manager Guru existia porque havia clientes pagando mensalidade. Por isso, o cliente deveria ser tratado como a parte mais importante da operação.
Essa visão se conectava diretamente ao posicionamento da Stripe: facilitar a vida de quem vende.
[27:54] André afirmou que, pelo terceiro ano seguido, havia percebido a Stripe focada na mesma pergunta: como facilitar a vida do cliente?
Essa mentalidade foi apresentada como uma das maiores lições do evento.
Para empresas SaaS, essa análise trouxe um ensinamento claro: tecnologia de ponta só fazia sentido quando resolvia problemas reais e reduzia atrito para o cliente.
Mercado agêntico: oportunidade real ou excesso de FOMO?
[31:44] Na parte final da análise, André conectou os dois eventos: tanto o Google Cloud Next quanto o Stripe Sessions haviam falado intensamente sobre IA, agentes e mercado agêntico.
No caso da Stripe, ele explicou que a empresa havia apresentado soluções para pagamentos entre agentes, microtransações em blockchain, carteiras digitais e novos formatos de cobrança para interações automatizadas.
Esse movimento indicava uma visão de futuro em que agentes de IA poderiam conversar, executar tarefas, contratar serviços e realizar pagamentos entre si.
No entanto, André fez uma ressalva estratégica.
[33:56] Para ele, quando dois gigantes como Google e Stripe falavam quase exclusivamente sobre o mesmo tema, era necessário observar com senso crítico.
A unanimidade em torno da IA e do mercado agêntico poderia criar uma bolha de percepção. Empresas de tecnologia tinham interesse direto na adoção acelerada dessas soluções, e isso poderia levar empreendedores a acreditar que estavam atrasados demais ou que seus mercados deixariam de existir rapidamente.
André discordou dessa leitura acelerada.
Na visão dele, a inteligência artificial iria continuar evoluindo, mas não necessariamente na velocidade ou na forma vendida pelos grandes eventos de tecnologia.
Como aplicar inteligência artificial nos negócios sem cair na armadilha
[37:15] André alertou que empresários sem visão crítica poderiam sair desses eventos com a sensação de que estavam obsoletos ou de que seus negócios iriam desaparecer em poucos meses.
Mas a realidade era mais complexa.
Muitas operações físicas, logísticas, comerciais e de atendimento ainda precisavam ser resolvidas. Havia processos ruins, integrações falhas, suporte ineficiente e problemas básicos que a IA, sozinha, não resolveria.
Por isso, o caminho mais seguro para aplicar inteligência artificial nos negócios envolvia quatro princípios.
1. Começar pelos processos, não pela ferramenta
Antes de escolher uma IA, a empresa precisava entender qual processo desejava melhorar.
A pergunta correta não era “qual ferramenta usar?”, mas sim:
qual problema operacional, comercial ou estratégico precisava ser resolvido?
2. Organizar os dados internos
A inteligência artificial dependia da qualidade dos dados disponíveis.
Reuniões comerciais, atendimentos, tickets, conversas de CS, motivos de churn, objeções de vendas e feedbacks de clientes deveriam ser organizados para gerar inteligência real.
3. Evitar automação sem direção
Automatizar um processo ruim apenas fazia com que o erro acontecesse mais rápido.
Por isso, antes de substituir pessoas, acelerar rotinas ou criar agentes, a empresa precisava validar se o processo já funcionava bem manualmente.
4. Reduzir o FOMO e acelerar com qualidade
[38:42] André recomendou reduzir o passo diante da pressão de mercado.
A inteligência artificial era importante, mas empresas não deveriam implementar soluções apenas por medo de ficarem para trás.
A prioridade deveria ser fazer com qualidade, consistência e clareza de objetivo.
Conclusão
[39:24] A principal mensagem deixada por André Cruz foi que a inteligência artificial nos negócios não deveria ser tratada como moda, atalho ou substituição automática de pessoas.
Ela deveria ser vista como uma camada estratégica para organizar dados, melhorar processos, ampliar eficiência e aumentar a capacidade de decisão.
O Google Cloud Next mostrou a maturidade da IA aplicada a empresas. O Stripe Sessions mostrou como infraestrutura, pagamentos e experiência do vendedor poderiam evoluir quando a tecnologia era pensada para resolver dores reais.
Mas os dois eventos também reforçaram um alerta: nem toda tendência precisava ser adotada no ritmo imposto pelo mercado.
Para empresas SaaS, produtores digitais, agências e negócios online, o melhor caminho estava em equilibrar inovação com maturidade operacional.
A inteligência artificial poderia gerar ganhos enormes, desde que fosse aplicada com processo, dados, método e visão crítica. Sem isso, ela apenas amplificaria a desorganização existente.