Pensar mais em retenção e não aquisição

Na edição #115 da Guru Talks que foi ao ar no dia 01/01/2026, na conversa entre o nosso CEO André Cruz e Eduardo Belote (fundador da Scaff), discutiu-se como área de membros sem comissão e um ecossistema de ensino bem projetado criaram resultados sustentáveis no mercado de cursos online. A conversa abordou dor (custos e incentivos desalinhados), promessa (mais lucro e retenção com assinatura) e contexto SaaS (produto, comunidade, eventos e gamificação integrados).

Apresentação do convidado: Eduardo Belote

[01:30] O convidado apresentado foi Eduardo Belote, empreendedor com passagem pelo mercado de investimentos, residente em Madrid e fundador de uma plataforma focada em área de membros, comunidades e educação online. André ressaltou que Eduardo possuía uma visão de negócio muito alinhada à filosofia da Guru, motivo pelo qual já mantinham contato frequente no LinkedIn e parcerias de integração entre as plataformas.

Além do currículo profissional, André trouxe elementos pessoais de forma descontraída, como o fato de Eduardo ser flamenguista, criando proximidade com o público.

Da engenharia ao ensino online: a jornada do Eduardo

[03:03] Eduardo relatou que, em 2017, criou o Real Valor (app de acompanhamento de investimentos) sem saber programar ou tocar startup.

Após 3 anos, o app alcançou 50 mil usuários diários e 150 mil mensais, sendo vendido à Empiricus.

A experiência dentro da maior empresa de infoprodutos da América Latina (em 2020) mostrou processos, infraestrutura e método de escala.

Depois da venda da Empiricus ao BTG e de um sabático curto, Eduardo decidiu voltar ao ensino online — o motor que transformara sua carreira — mas agora criando ferramentas para multiplicar esse impacto.

O que é a Scaff: ecossistema de ensino, não só LMS

[05:24] Scaff foi descrita como ecossistema de ensino: cursos, comunidade, eventos e gamificação integrados.

A proposta rejeitou “sala de aula no computador” e valorizou experiências ativas (inspiração: Brilliant), com interação lúdica, feedback e retenção via incentivos.

Essência: não é só área de membros; é aprendizagem contínua com engajamento e comunidade.

O problema dos “vendedores de curso” e a maturidade do mercado

[08:19] A crítica não foi a vender curso, e sim a prometer sem entregar.

Como em todo mercado em expansão, entram maus profissionais; com a saturação, prevalecem qualidade, metodologia e proposta de valor.
Ponto central: Educação útil e método prático superaram hype.

Europa x Brasil: cultura, trabalho e timing do digital

[14:04] Eduardo observou que, na Europa, priorizou-se qualidade de vida e férias, o que tornou o crescimento do digital mais gradual.

Em Portugal, André confirmou que a pandemia impulsionou o digital, replicando algumas fases (e excessos) vistas no Brasil, porém em ritmo diferente.

Plataformas, conflitos de interesse e regulação

[20:23] Debateram-se os incentivos das plataformas e o efeito de comissões na narrativa de “faturamento acima de tudo”.

André comentou mudanças regulatórias no mercado de pagamentos no Brasil e casos de riscos operacionais com processadores.
Aprendizado: Governança, confiabilidade e compliance são parte da estratégia de produto no SaaS de pagamentos e educação.

Modelos de negócio: assinatura vs. revenue share

[28:59] Assinatura assusta iniciantes pelo custo fixo, mas escala melhor e preserva margem.

Para quem está começando, revenue share pode reduzir atrito; ao escalar, a comissão corrói resultado.

Eduardo escolheu assinatura por princípio e alinhamento: “se o cliente fica, é porque o software é bom”.

Produto > narrativa: escolhas de growth sem VC

[35:29] Eduardo preferiu não captar VC para manter autonomia, foco em produto e time enxuto.

Startups que migram de fazer produto para fazer venda para compradores perdem energia e identidade.

André reforçou que crescer não é sinónimo de vida melhor; eficiência, lucratividade e parcerias certas são preferíveis a “crescer por crescer”.

Conclusão

[50:02] O diálogo entre André e Eduardo Belote mostrou que área de membros sem comissão não é apenas escolha financeira: é estratégia de produto, ética nos incentivos e sustentabilidade no SaaS de educação. Ao priorizar assinatura, comunidade e experiências ativas, a operação ampliou lucro, retenção e aprendizagem real. Para quem deseja escalar, a direção ficou clara: produto forte, incentivos corretos e foco na transformação do aluno — o resto é narrativa.


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