Na edição #117 da Guru Talks que foi ao ar no dia 15/01/2026, o nosso CEO André Cruz recebeu Vinícius Couto (Notas) para mostrar como profissionalizar a emissão de NF com automação, reduzir riscos e se preparar para a reforma tributária — com aprendizados práticos para SaaS e negócios digitais.
- 1. Introdução de Guru Talks e do convidado
- 2. Por que criar um emissor de notas?
- 3. Do ERP local ao modelo SaaS e recorrência
- 4. Escala real: milhões de documentos e alta responsabilidade
- 5. Profissionalização e reforma tributária: o que mudou
- 6. Erros clássicos que custaram caro
- 7. Estratégia fiscal em planos anuais: competência vs. caixa
- 8. Onde a IA já ajudou (e vai ajudar) na emissão fiscal
- 9. Split payment, destino do imposto e efeitos no fluxo de caixa
- 10. Atendimento humano como vantagem competitiva
- 11. Conclusão: próximos passos para SaaS e negócios digitais
Introdução de Guru Talks e do convidado
[00:38] André apresentou o Guru Talks, programa semanal transmitido no YouTube e LinkedIn, e introduziu Vinícius Couto (Notas) — parceiro de longa data da comunidade, reconhecido pela integridade e pela responsabilidade de sustentar a operação fiscal de milhares de clientes no Brasil. Mencionou encontros em eventos e a proximidade pessoal, revelando o pano de fundo humano da conversa.
Por que criar um emissor de notas?
[03:57] Questionado por André, Vinícius relembrou 2016, quando lançou o Notas. A ideia nasceu ao observar um psicólogo amigo captando pacientes no digital e emitindo NF manualmente. O insight foi direto: automatizar a emissão fiscal para quem vende online. O caminho exigiu estudo tributário, diálogo com contadores e foco em resolver uma dor crítica do e-commerce e do infoproduto.
Do ERP local ao modelo SaaS e recorrência
[05:24] Antes do Notas, Vinícius atuou com ERP para comércio local e descobriu no SaaS a previsibilidade da receita recorrente — evolução que sustentou o investimento contínuo em produto. O início foi difícil (rentabilidade baixa e múltiplas atividades para gerar caixa), reforçando que empreender exigiu resiliência e visão de longo prazo.
Escala real: milhões de documentos e alta responsabilidade
[09:16] Já em produção, o Notas passou a emitir 3–4 milhões de documentos por mês, representando mais de R$ 1 bilhão faturado/mês por seus clientes. Vinícius destacou a responsabilidade crítica: qualquer erro de configuração pode gerar prejuízo financeiro. Por isso, o produto foi desenhado com validações e testes para reduzir risco operacional.
Profissionalização e reforma tributária: o que mudou
[11:13] Vinícius apontou que a emissão automática virou padrão, mas a reforma tributária trouxe incerteza — sobretudo nas notas de serviço (competência municipal), com prefeituras em ritmos diferentes. Ressaltou que haverá fase de transição com tributos novos convivendo com antigos, exigindo atenção redobrada de plataformas e empresas. A mensagem central foi clara: profissionalização fiscal deixou de ser opcional.
Ponto de atenção para SaaS/marketing digital: manter processos, integrações e cadastros fiscais atualizados e trabalhar lado a lado com contadores para evitar multas e bloqueios em gateways, marketplaces e redes sociais.
Erros clássicos que custaram caro
[15:08] Olhando o passado recente, ambos registraram erros comuns:
Entrar como PF e estourar limites → IR alto, dificuldade para regularizar.
Emitir NF atrasadas ao abrir PJ → risco de autuações.
Falta de planejamento ao escalar no TikTok/marketplaces → bloqueios por ausência de NF.
Confundir “jeitinho” com gestão → no digital, tudo deixa rastro e o cruzamento bancário/fiscal expôs informalidades.
Recomendação prática: formalizar desde o início, definindo CNAEs, NCMs, CFOPs e regras com o contador — e operacionalizar no emissor.
Estratégia fiscal em planos anuais: competência vs. caixa
[21:17] Ao debater planos anuais parcelados, Vinícius explicou uma prática usada por empresas de assinatura: emitir NF por competência (mês a mês), e não uma única NF pelo total anual.
Benefícios: alinha o recolhimento de imposto ao recebimento, reduz exposição a chargebacks/cancelamentos e melhora fluxo de caixa fiscal.
Onde a IA já ajudou (e vai ajudar) na emissão fiscal
[29:41] Vinícius relatou que o Notas já incorporou um “robô” interno para corrigir inconsistências (ex.: CFOP incompatível com operação, devolução, venda exterior). Próximo passo: IA para análise de cenários e apoio às regras dos novos tributos, elevando a conformidade e reduzindo retrabalho.
Conclusão prática: IA não substituiu a política fiscal definida com o contador, mas minimizou erro humano e acelerou o faturamento.
Split payment, destino do imposto e efeitos no fluxo de caixa
[35:35] O diálogo abordou split payment (retenção do imposto no ato do pagamento) e a mudança para cobrança no destino. Impacto direto: fluxo de caixa das empresas — especialmente varejo de margem curta — exigiu planejamento para não quebrar capital de giro.
Para líderes de SaaS/marketing: projetar cenários de caixa com e sem retenção, reprecificar planos se necessário e acompanhar atualizações dos meios de pagamento.
Atendimento humano como vantagem competitiva
[40:02] O diálogo abordou split payment (retenção do imposto no ato do pagamento) e a mudança para cobrança no destino. Impacto direto: fluxo de caixa das empresas — especialmente varejo de margem curta — exigiu planejamento para não quebrar capital de giro.
Para líderes de SaaS/marketing: projetar cenários de caixa com e sem retenção, reprecificar planos se necessário e acompanhar atualizações dos meios de pagamento.
Conclusão: próximos passos para SaaS e negócios digitais
[42:10] O episódio mostrou que profissionalizar a emissão fiscal e preparar-se para mudanças regulatórias é estratégia, não burocracia. Para SaaS e negócios digitais, a recomendação ficou objetiva:
Mapear operação fiscal com o contador (CNAE/NCM/CFOP/ISS/ICMS/PIS/COFINS → novos tributos).
Automatizar emissão de NF e validações no emissor.
Sincronizar faturamento com o ciclo de recebimento (competência, quando fizer sentido).
Simular impacto do split payment e ajustar pricing/condições.
Manter atendimento humano como pilar de confiança e retenção.