Na edição #120 da Guru Talks que foi ao ar no dia 05/02/2026, o nosso CEO André Cruz André recebeu Anderson Hernández (Tactus / fundador da Tax) para detalhar o que mudou, por que o split payment tende a apertar o caixa a partir da transição 2026–2027, e como contadores consultivos e uma gestão financeira madura protegeram os negócios.
- 1. Contexto: por que 2026 mudou o jogo
- 2. Linha do tempo: 2025–2028 e a transição da reforma
- 3. Impactos imediatos no digital e SaaS
- 4. Split payment: como funcionou e por que apertou o caixa
- 5. Erros mais comuns e correções rápidas
- 6. Cenário internacional: competição fiscal e limites legais
- 7. Conclusão: maturidade de gestão como vantagem competitiva
Contexto: por que 2026 mudou o jogo
[00:13] André abriu o episódio reforçando a pauta central de 2026: reforma tributária e seus efeitos sobre negócios digitais. liderança construído a partir de experiências reais em combate e traduzido para o mundo empresarial. O foco sempre esteve em execução, responsabilidade e clareza de comando — não em inspiração abstrata.
[03:01] Anderson Hernández explicou que a transição iniciou em 2026 para preparar mudanças significativas em 2027, mas ajustes no final de 2025 já tinham alterado rotinas e custos. Segundo ele, aumentos e revisões impactaram diretamente a lucratividade — imposto e lucro caminharam juntos e exigiram reação rápida.
Linha do tempo: 2025–2028 e a transição da reforma
[03:30] Ficou claro que:
- 2025 (fim do ano): medidas publicadas pressionaram empresas já na virada para 2026.
- 2026: ano de transição com adaptações operacionais e fiscais.
- 2027: entrada mais forte das mudanças em empresas.
- 2028: possibilidade de mecanismos mais amplos de controle e arrecadação, com destaque para o split payment em fase madura.
Impactos imediatos no digital e SaaS
[03:50] Anderson fala que mudanças no fim de 2025 foram sentidas por produtores digitais, infoprodutores e SaaS.
O digital manteve barreiras de entrada baixas e boa rentabilidade, mas isso mascarou ineficiências de gestão.
[05:27] Anderson reforçou que sua contabilidade é 100% digital desde 2020, com clientes de internet, e que fundou um negócio de educação para contadores — formação de empresários contábeis com foco em resultado e estratégia.
[07:47] O mercado contábil migrou de um modelo regulatório/operacional para uma atuação consultiva, próxima da gestão.
[12:04] Margens altas e liquidez aparente levaram muitos a subestimar finanças e tributos, elevando riscos de caixa em 2026.
Pontos críticos que afetaram o P&L:
Aumento efetivo de carga em cenários específicos.
Custos financeiros por antecipações e má gestão de contas a receber.
Pressão de preço para repassar novos custos ao mercado.
Split payment: como funcionou e por que apertou o caixa
[21:43] Anderson detalhou o split payment (divisão do tributo na origem): o imposto foi retido no fluxo da transação e a empresa recebeu líquido. Na prática:
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Menos fôlego de caixa para operar e investir.
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Fim do “financiamento” involuntário com tributo.
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Necessidade de replaneamento financeiro (estoques, mídia, payroll, comissões).
Erros mais comuns e correções rápidas
[14:35] Anderson fala sobre quatros erros mais comuns:
- Erro 1 — Olhar financeiro restrito a ROI de campanha.
Correção: implantar DRE gerencial mensal, fluxo de caixa projetado (13 semanas) e regras de antecipação zero (ou com teto de custo). Erro 2 — Ausência de sistema de gestão.
Correção: adotar ERP/financeiro + plano de contas SaaS (MRR/ARR, CAC, LTV, churn, CMV, impostos, gateways, chargebacks).- Erro 3 — Contabilidade “de guias” sem conversa estratégica.
Correção: rituais trimestrais CFO/contador (planeamento tributário, regime, créditos, compliance digital). Erro 4 — Crescer sem maturidade de gestão.
Correção: OKRs de finanças e fiscal, limites de risco, e playbooks para mídia, pricing e caixa.
Cenário internacional: competição fiscal e limites
[29:31] André e Anderson debateram-se movimentos pró-competitividade em países vizinhos e na Europa.
A competição fiscal atraiu empresas, mas há limites legais quando a produção e o consumo ocorrem no Brasil.
[37:33] Para produtos digitais vendidos a consumidores brasileiros, documentação fiscal brasileira foi exigida; estruturas “cross-border” precisaram obedecer regras de importação de serviços e compliance local.
Conclusão: maturidade de gestão como vantagem competitiva
[43:14] Anderson Hernández recomendou trazer tributação e finanças para o centro da gestão.
Em 2026, empresas digitais e SaaS que atuaram com disciplina financeira, contador consultivo e planeamento tributário contínuo preservaram caixa, protegeram margem e entraram em 2027 prontas para a próxima etapa da reforma.