Você está financiando sua empresa ou a de outra pessoa?

Na edição #123 da Guru Talks que foi ao ar no dia 26/02/2026, o nosso CEO André Cruz fala que muitos negócios digitais aceitaram taxas “só paga se vender” como se fossem normais. Só que, na prática, esse modelo podia transformar fornecedores em sócios do faturamento, antes mesmo de existir lucro. Neste episódio André provocou uma reflexão direta: o negócio estava a financiar a própria operação… ou a perpetuidade de plataformas e intermediários.

A provocação central: quem estava a ser financiado?

[02:38] André lançou a pergunta que guiou todo o episódio: o negócio estava orientado a financiar a própria empresa (lucro e perpetuidade) ou a financiar outra empresa (intermediários e plataformas).

A ideia foi simples e desconfortável: quando parceiros cobravam percentual sobre venda sem criar vantagem competitiva, o empreendedor acabava a “pagar sociedade” a quem só fornecia o meio.

Como as taxas sobre venda se normalizaram

[04:58] André voltou ao início do cartão de crédito para contextualizar: primeiro existiu um custo pequeno, associado a bandeiras/adquirência, e depois surgiram camadas de serviços em cima do pagamento.

[06:06] Com o avanço do e-commerce e a explosão de plataformas, o “só paga se vender” ganhou força. Na visão dele, o modelo foi visto como “fantástico” por um motivo: capturava valor diretamente da força de vendas do vendedor, sem necessariamente criar demanda.

O problema do revenue share em “meios” que não geravam demanda

[07:57] O ponto não foi “pagar comissão é errado”. O ponto foi: pagar comissão para quem não gera demanda é distorção.

André colocou no mesmo saco vários tipos de fornecedores quando cobravam percentual sobre venda: plataformas, antifraude, adquirentes e outros serviços “meio”. A crítica foi objetiva: se não existia contribuição real para a receita (geração de demanda), não fazia sentido participar do faturamento.

[08:22] A frase-chave da lógica foi: quando o fornecedor não construía diferencial, não criava procura e não melhorava a competitividade, ele não devia ganhar como sócio.

TGA na prática: receita exponencial e custo linear

[08:44] Para sustentar a crítica, André puxou a Teoria Geral da Administração (TGA): um negócio saudável tendia a crescer com faturamento exponencial e custos lineares.

[09:43] O conflito apareceu quando o empreendedor aceitava custos variáveis proporcionais à receita com fornecedores que não escalavam custo no mesmo ritmo. Na leitura dele, isso criava um cenário em que o parceiro ganhava “limpo” antes do empreendedor — e com margem enorme.

O “imposto invisível” e o risco de ficar sem oxigénio

[16:38] A consequência prática, segundo André, foi que o negócio podia ficar sem oxigénio: o faturamento crescia, mas parte relevante era drenada por percentuais sobre venda.

[17:31] Ele também trouxe um ponto operacional que aumentava a sensação de injustiça: quando existia retenção na fonte (subadquirência/intermediação), o empreendedor podia acabar a pagar impostos sobre valores que nem chegaram a entrar no caixa.

O argumento central foi moral e financeiro ao mesmo tempo: o risco e a operação estavam com o empreendedor; a “renda” estava com o intermediário.

Quando revenue share fazia sentido

[17:57] André deixou uma exceção clara: comissão para gerador de demanda podia ter mérito.

Ou seja, se um parceiro efetivamente ajudava a vender mais (criava procura, distribuía, trazia audiência qualificada), então revenue share podia ser negociado. O problema foi quando o “percentual” virou padrão mesmo em serviços que eram apenas infraestrutura.

O efeito cripto: pressão por custos transacionais menores

[14:12] André apontou um vetor que, na visão dele, tendia a pressionar esse modelo: cripto e redes que reduziam intermediários.

[15:38] A tese foi que, se existiam meios de transferir valor com custo transacional muito menor, percentuais altos em redes tradicionais ficavam mais difíceis de justificar. Isso forçaria o mercado a repensar precificação e “pedágios” sobre transação.

Conclusão: coragem para mudar o jogo

[32:50] André fechou com o mesmo recado: o dinheiro do faturamento deveria servir para crescer a empresa, proteger a margem, remunerar equipa e sustentar a família — não para transformar fornecedores “meio” em sócios do resultado.

A reflexão final foi simples e dura: se era um serviço, por que precisava participar como sociedade? A mudança dependeria de postura: exigir modelos mais justos, com contrapartida clara e custo proporcional ao valor entregue — não ao teu esforço de venda.

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